mareou.

você que tem dois jarros de mel no lugar dos olhos
por que não me esperou
eu também queria te ver entrar e sair das ondas do mar
dançar forró até o sol raiar
colocar uma flor nos teus cabelos
te ouvir falar
sobre a arquitetura da cidade
sobre a natureza
tudo que você ia construir
tudo que você ia mudar
você que dançou a vida rápido demais
eu não consegui acompanhar
agora eu me pergunto o que de tão importante eu estava fazendo
por que não estava lá
pra te puxar pra mim
pra olhar bem fundo nos olhos de Iemanjá e falar
“Não, essa você não vai levar
Não dá pra guardar tudo de mais belo do mundo aí só pra você
Eu também preciso dela pra continuar”
ô, minha amiga, logo você que tinha brasa queimando no peito e em cada fio de cabelo
tanta lenha pra queimar
tanta luz pra irradiar
eu ainda volto pra te buscar

meu coração contigo além vida.

 

para minha querida amiga Denise.

Slam do desespero ou Tudo aquilo que um homem hétero sempre vai ser.

Ei,

Preciso te falar umas coisas, preciso te dizer umas fitas que estão entaladas dentro de mim faz um tempo, e que eu jurei pra mim mesma que nunca diria. Que eu tinha que seguir, só aceitar que é assim que é, as pessoas entram e saem da sua vida de forma fugaz, de maneira efêmera. É assim, anjo, só aceita. Não rolou. Preciso te dizer que não, não dá pra você entrar e bagunçar tudo e ser alguém tão presente num momento, e tão distante em outro. Que eu me arrependo, caralho, como eu me arrependo de ter aberto meu coração, de ter confiado de olhos fechados que tudo aquilo que você dizia era real, porque eu tinha sorte. Eu tinha sorte de você ser exatamente tudo aquilo que eu precisava quando eu precisava, e achando que tinha tudo sob controle me deixei levar, disse: “amizade e respeito acima de tudo”. Você assinou embaixo.

Já olhei nos teus olhos também e disse: “Sou desconfiada sim, porque você é um amor, mas é homem”. Mal sabia eu que naquele momento aqueles dizeres seriam proféticos. Eu não sinto raiva, eu não guardo rancor, tudo o que eu sinto é decepção. Decepção por você ter sido exatamente, sem tirar ou pôr, o clichê perfeito. O esteriótipo que eu olhava dentro dos seus olhos e enxergava e pensava: “Não, não pode ser assim tão óbvio, ninguém é assim tão raso que é exatamente aquilo que aparenta ser”, mas era.

Diante de toda aquela postura de garoto que com charme e paixão conquistava o mundo, com toda aquela poesia que dizia ter inundando o seu ser, de toda aquela paixão que dizia você te consumir há poucos meses atrás, sobrou pó! De todas as canções que fez, do jeito que quis participar de maneira ou de outra da minha vida até que eu me abri, até que me mostrei vulnerável, até que fui a melhor versão de mim mesma – você foi igual.

Asa branca

Não chegou suave, foi abrupto, foi brutal e não sei bem da onde veio. Olhava de cima, da ponta do precipício e meu coração dizia: “Pula!”; minha cabeça dizia: “Tem certeza?”; me diziam: “Segue teu coração!”; minha cabeça dizia: “Tem certeza?”. Quando menos esperava você veio e me empurrou! Fui caindo numa velocidade absurda, o medo me dominando, quando tua mão toca na minha e vejo que tinha pulado também. No início só conseguia pensar na queda, no estatelar no chão, nos ossos quebrados. Minha cabeça diria: “Eu avisei!”.

O pouso, por sua vez, foi suave. Meu coração feliz ficou aninhado. Você dizia, como quem em meio ao caos repara nos detalhes: “Gostei quando tocou tua mão na minha”. Naquele momento notei que o pouso não fora nada suave, e as quedas dali por diante seriam sempre abruptas e brutais.

Ai.

 

 

Sobre o que (realmente) me fez voltar

Pra variar, foi por amor.

Hoje estou me sentindo fraca e covarde. Covarde por ter fugido de nós em busca de algo que eu nem sei o que é. Fraca por não conseguir lidar com esses sentimentos dentro de mim. Estar letárgica diante deles.

Eu que nunca gostei do efêmero, que via aquelas relações fugazes todas cobertas por uma fina camada de insegurança e desamor, agora passo os dias tentando me convencer de que tomei as decisões que tomei em meu nome e no de mais ninguém.

Doce ilusão

Infelizmente, a verdade é que deixei que essa fina camada me encobrisse também, ao passo que enquanto escrevo não penso somente em você, mas em todos os amores que cruzaram meus dias nos últimos tempos e desacredito dos que estão por vir.

Penso que me tornei indigna do amor, pois tive do meu lado algo puro e perfeito e destruí. E agora parece que todas as relações verdadeiras estão desaparecendo e só me resta as cobertas por essa fina camada de pó.

Você que vê o mundo com olhos de menino encontrará um amor puro novamente, e eu que quis seguir só, consegui: me resta o efêmero.

Peço desculpas a mim mesma por ser tão imatura, e espero que seja lá o que tanto eu esteja à procura, que eu encontre.

Carta aberta para a mulher que quero ser.

Neste blog achei um post esquecido sobre este mesmo amor que me fez ficar um pouco menos melancólica do que estava quando escrevi este textinho. No final, sou grata por ter experienciado algo tão lindo.

Você que é uma Charlotte York e ainda não desistiu do amor romântico (socialmente construído! TEMOS QUE FALAR SOBRE ISSO) pode lê-lo aqui.

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Ela partiu, partiu e…voltou!

2018

Cinco anos depois de ter começado este blog porque estava com uma vontade louca de escrever, retorno para este espaço com esta mesma vontade em uma madrugada de 2018.  A Gabriela de 2013 justificou este blog dizendo que “(…) de tanto ler, ver, ouvir, absorver tanta coisa do mundo todo dia, minha cabeça anda a mil, e meu twitter já não proporciona mais a válvula de escape necessária pra esse turbilhão de pensamentos. Turbilhão que não quer ser espremido em 140 caracteres, mas sim, que quer deitar e rolar no meio de verbos, adjetivos, substantivos e muitas orações subordinadas”. A Gabriela do futuro assina embaixo dessas palavras! (embora agora o twitter tenha o dobro de caracteres, rs)

Tô achando bem vintage essa coisa de voltar a ter um blog em 2018, né? Tomara que as pessoas ainda se interessem por isso, e se não se interessarem também, já diria o Edu do Canal Diva Depressão: P*u no c*! hahahaha

Agora que eu tenho 22 anos e não mais 17 anos posso falar uns palavrõezinhos por aqui, né? rs

Assinado eu.

Por que estou há mil anos sem postar…

Simples, porque meu computador simplesmente não quer mais durar mais que meia hora ligado (isso pq ele acabou de voltar do conserto). E não consigo pesquisar, ler, olhar coisas interessantes e ficar de bobeira por mais que um curto período de tempo num pc que não é o meu. Então, infelizmente até eu sanar esse problema, os posts aqui serão raros porém magníficos, rssssss.

Beijos e espero que compreendam 🙂

Só coisa boa!

fotinha

 

Esse final de semana tive o prazer de me surpreender com essa cidade mais uma vez. Acordei cedo e fui fazer um rolê bem turista pelo centro de São Paulo, hehe. Fui na Galeria do Rock, pra ajudar meu namorado a pesquisar sobre um curso de produção musical, aproveitei e comprei uma camiseta do Jake da “Hora de Aventura” pro meu irmão (tá me amando pra sempre) e depois de sair da galeria entrei num lugar que eu sempre tive curiosidade de ir, um museu que pertence ao ‘Theatro Municipal’ e dentro estava acontecendo um festival de músicos de rua. Fiquei pouco tempo porque estava no final e depois voltei pra rua, quando de repente, vários palcos estavam sendo montados e outros já prontos e que iriam acontecer shows simultâneos de bandas independentes em cada um deles. Fomos pra Liberdade almoçar (falei que o rolê era de turista) e depois voltei pra lá. E foi a melhor coisa do mundo! Reggae, Rap, um palco rolando batalha de MC’s, entre outros ritmos tudo ao mesmo tempo e a galera colando de tudo quanto é lado e a rua enchendo e o som rolando e o sol saindo (sim, tô poética hahaha)…

No dia seguinte, outro rolê aleatório e inesperado que valeu muito a pena foi o show do Criolo na Casa do Hip Hop em Diadema, o dia todo foi de dança, e música da melhor qualidade e foi muito bom ver aquilo tudo de perto. Ver que é uma cultura viva e pulsante. E eu realmente devo muito ao meu namorado por ter me apresentado esse mundo, se não provavelmente eu estaria restrita as minhas bandinhas indie britânicas e o MPB fofucho da Tiê e da Mallu, hehehe. Se tem uma coisa que este ano está sendo, é de aprendizado musical, música boa vindo de todos os cantos. E eu ,pessoalmente, estou descobrindo o quanto nosso país é lindo, lindo musicalmente e como tem coisa BOA tanto aqui, quanto lá fora pra escutar e a gente não tem que ficar restrito ao lixo pop que nos empurram guéla a baixo.

CRIOLO

Eu e Criolo sendo melhores amigos pra sempre

Tendo isso dito, VEM COMIGO:

Criolo – Nó na Orelha (album completo)

Céu – Caravana, Sereia, Bloom (album completo)

Erykah Badu – Mama’s Gun (album completo)

Cordel do Fogo Encantado – Transfiguração (album completo)

E é claro, a música nova do Arctic Monkeys ❤

Arctic Monkeys – “Why’d you only call me when you’re high?”

E agora o albúm que embalou esse post, ai ai ai só love, só love

The Black Keys – Brothers

Claro que tem outras zilhões de bandas maravilhosas, mas essas foram as que eu lembrei pra compartilhar com vocês agora. Espero que curtam e escutem muito!

Beijos! xx

 

 

Frescurinha do dia

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Em tradução livre: “Alguém deveria escrever um livro em que o personagem principal, devagarinho, se apaixona pelo leitor.”

Estava vendo fotos no we<3it pra ilustrar um post, quando me deparo com essa foto e sei lá…achei essa ideia muito genial!

Pra inspirar os escritores freela de plantão.

Beijos! xx

Modelo de fábrica

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Eu nem me lembro ao certo quando descobri os blogs de moda, e me interessei por eles. Só sei que depois de conhecer o primeiro, gostei dos posts, e as abordagens tipo “melhores amigas” foi o que bastou pra eu me ver ligada de vez à esse tipo de veículo. Eu também, como a maioria das garotas que visitam esse tipo de blog, sempre gostei de moda, mas até então não tinha tido uma relação tão próxima assim de informação de moda. Aí é que eu me deparo com uma pergunta: Será que essa informação é realmente confiável e vinda de alguém que tem propriedade no assunto?

Eu não sei vocês, mas eu penso que gostar de medicina não te faz um médico. Gostar de escrever não te faz um jornalista. Gostar de moda não te faz uma consultora sobre o assunto. Eu mesma, ao escrever este texto posso me deparar com um tremendo paradoxo, pois eu gosto de moda, tenho um blog e pretendo falar sobre isso por aqui. Entendo completamente que blogs são ferramentas muito pessoais e que você não necessariamente precisa ter um diploma pra falar de um determinado assunto, se não teríamos que ter diplomas para todos os assuntos do mundo.

O que me entristece como apreciadora dessa arte (sim, arte) é a banalização gerada pelos blogs de moda feito por meninas sem nenhum conteúdo real  sobre o assunto além da reprodução de uma blogueira, que reproduziu de outra e de outra e de outra e assim por diante. Vemos uma similaridade quase cômica nos textos dessas garotas, onde seus tutorias sobre como fazer o delineado perfeito, como usar calças listradas e “looks do dia” são praticamente obrigatórios para qualquer uma delas.  Quando pensei em fazer esse blog um dos meus primeiros pensamentos foi que de alguma maneira, ao tratar desse assunto, eu queria fugir desse padrão. O que antes foi um “boom” de interesses e novidade, hoje é apenas mais um blog sobre o mesmo assunto. Eu acho realmente que esse interesse por moda, se fosse genuíno, não se restringiria à esses posts completamente banais. Seriam coisas mais aprofundadas, mesmo que pouco, aquele tipo de post que você percebe que a pessoa é realmente apaixonada pelo assunto e sempre quer saber mais.

O que as blogueiras de moda da corja look do dia parecem querer é um passaporte rápido para eventos open bar e jabás de qualquer loja em troca de poucas palavrinhas tipo “melhores amigas” de como aquele produto é ótimo; e não um desejo de mostrar para garotas que se identificam, o jeito que ela achou de mostrar a personalidade através das roupas. O que eu vejo, ao invés disso, é o que eu gosto de chamar de “fórmula para ser estilosa”: use o mesmo tom de ruivo que a Julia Petit (mas use por causa daquela menina do lookbook), uma jaquetinha perfecto, um jeans destroyed, mix de acessórios e uma camiseta podrinha e voilá, você é uma estilosa (digna de lookbook).

 Sem hipocrisia no meu post, porque sim eu ainda leio alguns blogs que tratam desse assunto dessa maneira e por isso acho que tenho todo o direito de dizer que, como leitora, estou farta!

E antes de terminar quero deixar uma dica, não sei se vocês conhecem o Shame on you, blogueira!, se já conhecem sabem do que estou falando, se não, vale o clique. Mas o que quero ressaltar é que ao entrarem no blog no canto esquerdo da tela há um “leituras recomendadas” que como o nome diz são recomendas, mas eu considero primordias.

Em especial este texto de Jana Rosa, e este de Lilian Pacce.

Tá na hora de quebrar padrões de novo, ein?

Beijos! xx

Linda de morrer

Linda de Morrer

Mais uma vez olhava distraída as fotos que aparecem na dashboard do meu tumblr, quando me deparo com a foto acima. Dei um like logo de cara, porque elas automaticamente me lembraram filmes como “As Virgens Suicidas” e “As Patricinhas de Beverly Hills”. Só depois notei que abaixo da imagem, havia um texto e o título dele foi que me chamou atenção: The most popular girls at school photographed by Lauren Greenfield. Pronto, minha relação entre a foto e os filmes tinha feito completo sentido, então comecei a ler o texto que explicava que a foto foi tirada em 1998 e como as pessoas estavam começando a perceber o que significavam as “meninas malvadas” da escola. Calma, esse não é mais um besteirol americano (rsssss). Segundo o texto:

This group of girls were in the popular clique at their school. Popularity was very codified: all the kids knew you had to shop in three particular stores, and that you needed to be blond, thin and blue-eyed.

Em tradução livre:

Este grupo de garotas estavam entre as populares da escola. A Popularidade era bastante codificada: Todas as crianças sabiam que tinham que comprar em 3 lojas em particular, e que precisavam ser loiras, magras e com olhos azuis.

Depois de pesquisar um pouco mais sobre a fotógrafa Lauren Greenfield, descobri várias coisas interessantes sobre ela e sobre o seu trabalho. A primeira delas foi que ela tem uma página em seu site chamada “Girl Culture” em que ela conta como começou a se envolver nesse meio de pesquisar as pressões que as garotas sofrem com a indústria da beleza, como lidam com isso e como é o lifestyle delas por causa disso. Nessa página ela conta as experiências própias em relação à isso durante sua adolescência. 

“Girl Culture” é também um documentário sobre o assunto e você pode assistir ao trailer nesse link. Além de outros dois documentários chamados “Kids + money”, que como o própio nome diz trata da relação das crianças com o dinheiro. E o trailer pode ser visto aqui, e “Thin” que é um documentário sobre garotas com bulimia e anorexia e assim como os outros você pode ver o trailer nesse link.

“Thin” foi o único documentário da Lauren que eu consegui achar na íntegra na internet, todos os outros achei apenas os trailers, o que é uma pena porque eu queria muito, muito vê-los. Principalmente “Girl Culture” 😦

São assuntos muito delicados, mas também que temos que ter consciência. E além do mais são tópicos que eu acho muito interessantes e gosto de saber mais sobre, hehe.

Mais feminismo menos consumismo, hahaha! #GirlPower

e como diria a queridíssima Kate Nash: “You tryin’ tell me sexism it doesn’t exist, so if doesn’t exist what the fuck is this” (inclusive o show dela no Cultura Inglesa Festival no domingo, aqui em São Paulo foi lindo! Borboletas no estômago até agora :3)

Beijos! xx